O tabaco, trazido da América para a Europa no século XVI, rapidamente se integrou nas cortes europeias como símbolo de estatuto social e refinamento.
Durante o século XVIII, o rapé atingiu o auge da sua popularidade. As cortes europeias, como a francesa e a britânica, consideravam-no elegante e sofisticado. Em eventos sociais, como jantares e bailes, era comum que os convidados fizessem pausas para consumi-lo. No retrato de Luís Duval de l’Épinoy, conselheiro e secretário do rei Luís XV, observa-se um exemplo desse consumo de rapé no quotidiano palaciano.
Guardado em caixas ricamente decoradas, tornou-se objeto de luxo pessoal, associado a rituais de civilidade e distinção. Apesar do declínio, com o surgimento de charutos e cigarros, deixou um legado na cultura material e nos hábitos cortesãos da Europa.
Coleção Tesouro Real

Caixa de rapé
Jean Ducrollay (1710-1787) e Louis Roucel († 1787), sob direção de Pierre André Jacqmin (1720-1773)
França, Paris, 1755-1756.
PNA inv. 4786 ©DGPC/ADF Luísa Oliveira
Núcleo 3 - Joias
Jean Ducrollay (1710-1787) e Louis Roucel († 1787), sob direção de Pierre André Jacqmin (1720-1773)
França, Paris, 1755-1756.
PNA inv. 4786 ©DGPC/ADF Luísa Oliveira
Núcleo 3 - Joias
«Executada em Paris logo após o terramoto de 1755, por ordem do rei D. José I, esta caixa de rapé é considerada a obra-prima das suas congéneres. Todos os diamantes que a enriquecem foram fornecidos pelo monarca que, desta forma, pretendeu demonstrar, na corte de Luís XV, a pujança da extração diamantífera brasileira, monopólio controlado pela Coroa portuguesa.»
João Júlio Rumsey Teixeira em Catálogo Museu Tesouro Real
João Júlio Rumsey Teixeira em Catálogo Museu Tesouro Real

Retrato de Duval de L'Épinoy de Maurice-Quentin de La Tour. Paris, 1745. Museu Calouste Gulbenkian inv 2380. ©Catarina Gomes Ferreira
Retrata-se no pastel Louis Duval de l’Épinoy, Senhor de Saint-Vrain, conselheiro e secretário do rei Luís XV. A expressão do modelo, de uma vitalidade impressionante, deixa adivinhar a presença de um espírito sagaz. O artista capta com génio a informalidade aparente do momento e transforma-o num instante vivo e corpóreo.
A composição ilustra o entusiasmo do autor pelo racionalismo da época já que, como é notório, o «século das luzes» encontra pleno espaço de afirmação no realismo analítico da representação. A obra, povoada de alusões à geografia e às letras, reflecte ideias e testemunha mentalidades. O apontamento da caixa de rapé documenta, também, costumes requintados.
Azuis, cinzentos e rosas suaves, preferências cromáticas de La Tour, manifestam-se especialmente favoráveis à harmonia visual do conjunto. Esta obra foi considerada no Salon de Paris de 1745 como o triunfo absoluto da pintura a pastel e o maior retrato até então executado por Maurice-Quentin de La Tour.
Retrato de Duval de l’Epinoy - Maurice-Quentin de La Tour — Google Arts & Culture
Retrato de Duval de l’Epinoy - Maurice-Quentin de La Tour — Google Arts & Culture



