Originário do sudoeste asiático e da Oceânia, o coco chegou à Europa através das rotas comerciais do Índico, a partir do século XVI, embora surja de forma difusa em fontes literárias clássicas e medievais.
A sua casca passou a ser montada em prata ou prata dourada, dando origem a taças e copos que combinam matéria natural e trabalho de ourivesaria. Peças deste tipo integraram frequentemente os chamados “gabinetes de curiosidades”, ou “câmaras de maravilhas”, coleções dedicadas a reunir e estudar exemplares notáveis da natureza e da arte.
O fascínio por materiais raros e invulgares estendeu-se também a objetos como conchas de náutilo e ovos de avestruz. Exemplares deste género estiveram presentes em coleções privadas régias de D. Fernando II e de D. Luís I, e uma concha de náutilo encontra-se na coleção do Tesouro Real.
Coleção Tesouro Real

Nautilus
Alemanha, Lubeck (?), séc. XIX (2.ª met.).
PNA, inv. 10808 ©DGPC/ADF Luísa Oliveira
Núcleo 7 - Coleções Privadas
Coleção Rei D. Luís I
Alemanha, Lubeck (?), séc. XIX (2.ª met.).
PNA, inv. 10808 ©DGPC/ADF Luísa Oliveira
Núcleo 7 - Coleções Privadas
Coleção Rei D. Luís I

D. Fernando II. Prova de albumina de Jean Laurent, 1869
PNP, inv. PNP3547/2 ©Parques de Sintra-Monte da Lua
D. Luís I. Prova fotográfica de A. Disdéri, 1867. PNA, inv. 60049
©ADF/DGPC João Silveira Ramos
PNP, inv. PNP3547/2 ©Parques de Sintra-Monte da Lua
D. Luís I. Prova fotográfica de A. Disdéri, 1867. PNA, inv. 60049
©ADF/DGPC João Silveira Ramos
«No dealbar do século xx, Carlos Malheiro Dias refere-se nas Cartas de Lisboa à sensibilidade artística dos últimos monarcas portugueses, que levou não só ao enriquecimento e valorização dos bens da Coroa, propriedade do Estado, mas de uso reservado ao rei, como à formação de importantes coleções de cariz particular. Tal é atribuído ao «sangue nobre dos Coburgo» numa alusão a D. Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha, príncipe germânico tornado rei-consorte deste país de quem foi figura central enquanto mecenas das artes e protetor do património. Comprador compulsivo, num largo espetro de atividade — das artes plásticas às decorativas — teve no seu filho D. Luís um digno herdeiro e cultor, formando ambos importantes coleções onde estava patente, entre outros vetores em comum, o interesse pela ourivesaria.»
Hugo Xavier em Catálogo do Museu Tesouro Real
Hugo Xavier em Catálogo do Museu Tesouro Real

"Gabinete de Arte e Curiosidades" 1636, pintado por Frans Francken, o Jovem (1581–1642), é uma obra-prima flamenga que representa um studiolo repleto de naturalia (conchas, minerais) e artificialia (moedas, pinturas, esculturas) simboliza o conhecimento enciclopédico e a curiosidade do século.
Kunsthistorisches Museum, Viena
Kunsthistorisches Museum, Viena


